Mateus 21 · ACF
Almeida Corrigida Fiel
Jesus entra em Jerusalém montado em um jumento, sendo aclamado pela multidão como o Filho de Davi. No templo, expulsa vendedores e cambistas, cura cegos e coxos, e confronta os líderes religiosos com parábolas que denunciam sua rejeição à mensagem de Deus.
O Evangelho de Mateus foi escrito por volta dos anos 70-90 d.C., provavelmente para uma comunidade de judeus-cristãos na Síria ou Palestina. A autoria é tradicionalmente atribuída ao apóstolo Mateus, mas muitos estudiosos modernos consideram o livro anônimo, fruto de uma escola ou comunidade que compilou tradições sobre Jesus. O capítulo 21 marca o início da chamada "semana da paixão", quando Jesus vai a Jerusalém para ser crucificado.
Nos capítulos anteriores, Jesus ministrava principalmente na Galileia, realizando milagres e ensinando sobre o Reino de Deus. Agora ele se dirige à capital, onde o conflito com as autoridades religiosas se intensifica. O capítulo começa com a entrada triunfal, que cumpre a profecia de Zacarias 9.9, e termina com parábolas que preparam o leitor para a rejeição final de Jesus pelos líderes de Israel e a consequente abertura da salvação aos gentios.
A entrada de Jesus em Jerusalém montado em um jumento, e não em um cavalo, é um gesto de humildade e paz, pois os reis em tempos de guerra montavam cavalos. A aclamação "Hosana" (que significa "salva agora") e o gesto de estender capas e ramos pelo caminho eram práticas comuns em recepções a reis ou figuras importantes, ecoando a recepção a Jeú em 2 Reis 9.13. A figueira amaldiçoada, por sua vez, é um ato simbólico: no Antigo Testamento, a figueira era símbolo de Israel; sua falta de fruto representa a falta de resposta espiritual do povo, e a maldição antecipa o juízo sobre a nação.
O versículo 22, "tudo o que, com fé, pedirdes em vossas orações haveis de receber", é frequentemente citado como uma promessa incondicional de prosperidade material. No contexto, porém, Jesus acaba de amaldiçoar a figueira e ensina sobre o poder da fé em meio ao confronto com as autoridades. A ênfase está na fé que move montanhas, não em um cheque em branco para desejos pessoais. A parábola dos lavradores maus (versículos 33-46) é uma alegoria clara da história de Israel: Deus (o proprietário) enviou profetas (servos) que foram rejeitados, e finalmente enviou seu Filho (Jesus), que também será morto. A consequência é que o Reino será dado a "outra nação", que muitos intérpretes entendem como a comunidade dos que creem em Jesus, composta por judeus e gentios.
Almeida Corrigida Fiel (ACF). © Sociedade Bíblica Trinitariana do Brasil. Texto protegido por direitos autorais.