Marcos 16 · ACF
Almeida Corrigida Fiel
Marcos 16 relata a ressurreição de Jesus e as aparições do Cristo ressuscitado. O capítulo termina com a ascensão de Jesus ao céu e a partida dos discípulos para pregar o evangelho.
O Evangelho de Marcos é tradicionalmente atribuído a João Marcos, um colaborador de Pedro, e teria sido escrito em Roma por volta do ano 70 d.C., em um contexto de perseguição aos cristãos. O público alvo provavelmente era composto por cristãos gentios, o que explica a explicação de costumes judaicos e o uso de termos latinos no texto.
Este capítulo é o final do Evangelho de Marcos e conclui a narrativa da paixão e ressurreição iniciada no capítulo 14. Os versículos 1 a 8 formam o que a maioria dos estudiosos considera o final original do evangelho, com as mulheres encontrando o túmulo vazio e recebendo a mensagem do anjo. Os versículos 9 a 20, conhecidos como o 'final mais longo de Marcos', são uma adição posterior, ausente nos manuscritos mais antigos e confiáveis, mas presente na maioria das traduções. A transição abrupta entre o medo das mulheres no versículo 8 e a aparição de Jesus no versículo 9 sugere que o texto original pode ter terminado de forma abrupta ou que o final original foi perdido.
Um detalhe cultural importante é a prática do embalsamamento: as mulheres vinham com aromas para ungir o corpo de Jesus, um costume fúnebre comum entre os judeus, embora o embalsamamento propriamente dito não fosse praticado; tratava-se de uma unção com especiarias para honrar o falecido e mascarar o odor da decomposição. O fato de a pedra já estar removida (versículo 4) é significativo, pois túmulos de famílias ricas, como o de José de Arimateia, eram selados com uma grande pedra circular que rolava em um trilho.
O versículo 16, 'Quem crer e for batizado será salvo; mas quem não crer será condenado', é frequentemente citado em debates sobre a necessidade do batismo para a salvação. No contexto do final mais longo de Marcos, este versículo faz parte da Grande Comissão, onde Jesus envia os discípulos a pregar. A relação entre crer e ser batizado é apresentada como uma unidade, mas a segunda parte do versículo ('quem não crer será condenado') foca exclusivamente na fé, não mencionando o batismo, o que levanta questões teológicas sobre a interpretação precisa da passagem. As diferentes tradições cristãs têm divergido sobre se o batismo é um requisito essencial para a salvação ou apenas um ato de obediência que a acompanha.
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