✧AGORA, porém, se riem de mim os de menos idade do que eu, cujos pais eu teria desdenhado de pôr com os cães do meu rebanho. ✧2De que também me serviria a força das mãos daqueles, cujo vigor se tinha esgotado? ✧3De míngua e fome se debilitaram; e recolhiam-se para os lugares secos, tenebrosos, assolados e desertos. ✧4Apanhavam malvas junto aos arbustos, e o seu mantimento eram as raízes dos zimbros. ✧5Do meio dos homens eram expulsos, e gritavam contra eles, como contra o ladrão; ✧6Para habitarem nos barrancos dos vales, e nas cavernas da terra e das rochas. ✧7Bramavam entre os arbustos, e ajuntavam-se debaixo das urtigas. ✧8Eram filhos de doidos, e filhos de gente sem nome, e da terra foram expulsos. ✧9Agora, porém, sou a sua canção, e lhes sirvo de provérbio. ✧10Abominam-me, e fogem para longe de mim, e no meu rosto não se privam de cuspir. ✧11Porque Deus desatou a sua corda, e me oprimiu, por isso sacudiram de si o freio perante o meu rosto. ✧12À direita se levantam os moços; empurram os meus pés, e preparam contra mim os seus caminhos de destruição. ✧13Desbaratam-me o caminho; promovem a minha miséria; contra eles não há ajudador. ✧14Vêm contra mim como por uma grande brecha, e revolvem-se entre a assolação. ✧15Sobrevieram-me pavores; como vento perseguem a minha honra, e como nuvem passou a minha felicidade. ✧16E agora derrama-se em mim a minha alma; os dias da aflição se apoderaram de mim. ✧17De noite se me traspassam os meus ossos, e os meus nervos não descansam. ✧18Pela grandeza do meu mal está desfigurada a minha veste, que, como a gola da minha túnica, me cinge. ✧19Lançou-me na lama, e fiquei semelhante ao pó e à cinza. ✧20Clamo a ti, porém, tu não me respondes; estou em pé, porém, para mim não atentas. ✧21Tornaste-te cruel contra mim; com a força da tua mão resistes violentamente. ✧22Levantas-me sobre o vento, fazes-me cavalgar sobre ele, e derretes-me o ser. ✧23Porque eu sei que me levarás à morte e à casa do ajuntamento determinada a todos os viventes. ✧24Porém não estenderá a mão para o túmulo, ainda que eles clamem na sua destruição. ✧25Porventura não chorei sobre aquele que estava aflito, ou não se angustiou a minha alma pelo necessitado? ✧26Todavia aguardando eu o bem, então me veio o mal, esperando eu a luz, veio a escuridão. ✧27As minhas entranhas fervem e não estão quietas; os dias da aflição me surpreendem. ✧28Denegrido ando, porém não do sol; levantando-me na congregação, clamo por socorro. ✧29Irmão me fiz dos chacais, e companheiro dos avestruzes. ✧30Enegreceu-se a minha pele sobre mim, e os meus ossos estão queimados do calor. ✧31A minha harpa se tornou em luto, e o meu órgão em voz dos que choram.