Jó 1 · ACF
Almeida Corrigida Fiel
Jó, um homem íntegro e rico na terra de Uz, é apresentado. Em uma cena no céu, Satanás desafia a integridade de Jó, e Deus permite que ele perca todos os seus bens e filhos, mas Jó não amaldiçoa a Deus.
O livro de Jó é uma obra poética e sapiencial do Antigo Testamento, provavelmente escrito entre os séculos VII e IV a.C. A autoria é desconhecida, e não há consenso sobre a data ou a historicidade literal da narrativa. A história se passa na terra de Uz, uma região geralmente associada ao leste de Israel, e o personagem Jó é apresentado como um não israelita que, ainda assim, teme a Deus. O prólogo em prosa, que inclui os capítulos 1 e 2, estabelece o cenário para o debate poético que se seguirá.
O capítulo 1 funciona como a abertura do drama. Ele apresenta o caráter exemplar de Jó (versos 1 a 5) e, em seguida, desloca a cena para o conselho celestial, onde Satanás, que significa 'adversário' ou 'acusador', aparece entre os 'filhos de Deus', membros da corte divina. Este Satanás não é identificado com a figura do diabo no Novo Testamento, mas sim como um procurador divino que testa a lealdade dos homens. A permissão de Deus para que Satanás atue estabelece o tema central do livro: a possibilidade de uma fé desinteressada, não baseada em bênçãos materiais.
A cultura antiga do Oriente Médio valorizava a hospitalidade e a riqueza como sinais de bênção divina. Jó, com sua grande família e rebanhos, era o maior de todos os filhos do Oriente. A oferta de holocaustos por seus filhos, temendo que tivessem 'renunciado a Deus' no coração, mostra a piedade preventiva de Jó. A perda dos filhos por um desastre natural ou ataque inimigo era uma das piores tragédias possíveis, e a reação de Jó, que rasga o manto e rapa a cabeça, segue os rituais de luto da época, mas sua adoração é surpreendente.
O versículo 21, 'Jeová deu e Jeová tirou; bendito seja o nome de Jeová', é frequentemente citado fora de contexto para sugerir que todas as perdas são diretamente causadas por Deus. No contexto do capítulo, no entanto, Jó não sabe que a perda foi permitida por Deus, mas executada por Satanás por meio de agentes humanos (sabeus e caldeus) e fenômenos naturais. A fala de Jó é uma expressão de submissão soberana, mas o livro como um todo explora a tensão entre essa aceitação e o questionamento posterior da justiça divina.
Almeida Corrigida Fiel (ACF). © Sociedade Bíblica Trinitariana do Brasil. Texto protegido por direitos autorais.