Gênesis 19 · ACF
Almeida Corrigida Fiel
Dois anjos visitam Ló e o alertam sobre a destruição iminente de Sodoma e Gomorra. Ló foge com a família para Zoar, mas sua esposa olha para trás e se torna uma estátua de sal. Após a destruição, Ló vive em uma caverna com suas filhas, que, embriagando-o, concebem dele os ancestrais dos moabitas e amonitas.
Gênesis 19 é geralmente atribuído a Moisés, dentro da tradição que considera o Pentateuco como obra mosaica, embora a crítica moderna veja nele uma combinação de fontes javista e eloísta, compiladas após o exílio babilônico. O capítulo continua a narrativa de Abraão, iniciada em Gênesis 12, e se conecta diretamente com o capítulo anterior, onde Abraão intercede por Sodoma. Enquanto Abraão negociava com Deus o destino da cidade, Ló, seu sobrinho, que havia escolhido habitar na região (Gn 13), enfrenta o julgamento divino.
O relato reflete um contexto histórico de tensão entre Israel e os povos vizinhos de Moabe e Amom, descendentes de Ló segundo este capítulo. A hospitalidade de Ló aos anjos e a tentativa de protegê-los contrasta com a violência dos homens de Sodoma, e a oferta de suas filhas em lugar dos hóspedes choca leitores modernos, mas deve ser entendida dentro das rígidas normas de hospitalidade do Antigo Oriente Próximo, onde proteger um hóspede era um dever sagrado, muitas vezes acima da segurança da própria família.
Os versículos 30 a 38, que narram o incesto de Ló com suas filhas, são frequentemente citados fora de contexto para justificar a condenação dos povos moabita e amonita. No contexto original, a preocupação das filhas de Ló com a preservação da linhagem familiar, em um mundo que parecia ter acabado, e a embriaguez de Ló, que o isenta de consciência do ato, são elementos centrais. A narrativa não endossa o incesto, mas explica a origem de dois povos que, mais tarde, se tornariam inimigos de Israel (Dt 23:3-6).
Almeida Corrigida Fiel (ACF). © Sociedade Bíblica Trinitariana do Brasil. Texto protegido por direitos autorais.