Atos 3 · ACF
Almeida Corrigida Fiel
Pedro e João curam um mendigo coxo de nascença à porta do templo, e Pedro aproveita a comoção para pregar a multidão, chamando Israel ao arrependimento e anunciando que Jesus, morto e ressuscitado, é o Cristo prometido pelos profetas. O capítulo mostra o poder do nome de Jesus operando pelos apóstolos e conecta a cura física à oferta de restauração espiritual ao povo de Israel.
Atos foi escrito por Lucas, companheiro de Paulo, como a segunda parte de sua obra (o Evangelho de Lucas é o primeiro volume). O livro narra a expansão do evangelho desde Jerusalém até Roma, sob a ação do Espírito Santo. No capítulo anterior, Pedro, cheio do Espírito, pregou no dia de Pentecostes e cerca de três mil pessoas se converteram. Agora, em Atos 3, ocorre o primeiro milagre pós-Pentecostes, que gera nova oportunidade de pregação pública no templo.
A Porta Formosa era provavelmente a porta que dava acesso do Pátio dos Gentios ao Pátio das Mulheres, no templo de Herodes. Era um local movimentado, ideal para pedir esmolas. A hora nona (3 horas da tarde) era um dos horários fixos de oração no templo, quando sacrifícios eram oferecidos e muitos judeus devotos subiam ao santuário. O mendigo, por ser coxo de nascença, estava excluído de entrar no santuário segundo a lei levítica (Lv 21,18).
O discurso de Pedro no pórtico de Salomão segue a estrutura das pregações de Atos: cita a ação de Deus na história de Israel, acusa os ouvintes de terem rejeitado Jesus, afirma a ressurreição e chama ao arrependimento. Um detalhe importante é que Pedro distingue entre a culpa das autoridades e a ignorância do povo (v. 17), abrindo espaço para a conversão. A promessa de "tempos de refrigério" e "restauração de todas as coisas" (v. 19-21) reflete a expectativa judaica do cumprimento final das profecias, ligada ao retorno de Cristo. A citação de Deuteronômio 18,15-19 (v. 22-23) era interpretada por alguns grupos judeus como referência a um profeta escatológico; Pedro a aplica a Jesus.
O versículo 6, "Não tenho prata nem ouro", é comumente citado para ensinar que o evangelho é mais valioso que riquezas materiais ou para justificar a pobreza dos apóstolos. No contexto, porém, a frase não é uma declaração geral sobre dinheiro, mas uma resposta direta à expectativa do mendigo que pedia esmola. Pedro deixa claro que o poder que cura não vem de recursos humanos, mas do nome de Jesus Cristo.
Almeida Corrigida Fiel (ACF). © Sociedade Bíblica Trinitariana do Brasil. Texto protegido por direitos autorais.