Apocalipse 9 · ACF
Almeida Corrigida Fiel
O quinto e o sexto anjos tocam suas trombetas, desencadeando pragas terríveis sobre a humanidade: uma praga de gafanhotos demoníacos que atormentam os homens por cinco meses, e um exército de cavalaria que mata um terço da humanidade. Mesmo diante desses juízos, os sobreviventes se recusam a se arrepender de seus pecados e da idolatria.
O livro do Apocalipse foi escrito por João, provavelmente o apóstolo, para as sete igrejas da Ásia Menor (atual Turquia) durante o reinado do imperador romano Domiciano, por volta do ano 95 d.C. Os cristãos enfrentavam perseguições e pressão para adorar o imperador, e a visão de João oferece uma perspectiva celestial sobre o conflito entre o bem e o mal, encorajando a perseverança.
O capítulo 9 dá continuidade à série de juízos das trombetas iniciada no capítulo 8. As primeiras quatro trombetas afetaram a natureza (terra, mar, águas doces e corpos celestes). Agora, as duas últimas trombetas (quinta e sexta) atingem diretamente os seres humanos, intensificando o sofrimento. Os três "ais" anunciados em 8,13 começam a se cumprir: o primeiro ai são os gafanhotos do abismo, e o segundo ai é o exército do Eufrates.
O "poço do abismo" e o "anjo do abismo" (Abadom ou Apoliom) remetem a conceitos do judaísmo apocalíptico: o abismo é a morada de demônios e forças do caos, e seu anjo é um ser destruidor. Os gafanhotos descritos não são insetos comuns, mas criaturas híbridas e simbólicas, combinando características de cavalos, leões, mulheres e escorpiões, provavelmente inspiradas na praga de gafanhotos do Egito (Êxodo 10) e em visões de profetas como Joel (Joel 2). O limite de cinco meses para o tormento corresponde ao ciclo de vida de um gafanhoto comum, mas aqui é um período fixo de juízo limitado por Deus.
O versículo 20 é frequentemente citado em discussões sobre o endurecimento do coração humano diante do juízo divino. No contexto, ele mostra que, mesmo após pragas devastadoras, a humanidade não se arrepende, persistindo na idolatria e em práticas condenadas como homicídios, feitiçarias (pharmakeia, que também pode significar uso de drogas em rituais mágicos), imoralidade sexual e roubos. Isso contrasta com a expectativa de arrependimento que acompanha os juízos no Antigo Testamento (como em Jonas) e prepara o leitor para o juízo final e o estabelecimento do reino de Deus.
Almeida Corrigida Fiel (ACF). © Sociedade Bíblica Trinitariana do Brasil. Texto protegido por direitos autorais.